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O músico, que retorna ao país com a turnê de seu álbum mais recente, “The Search for Everything”, fez aniversário na segunda (16), quando desembarcou no Rio de Janeiro, para onde volta para realizar na sexta (27) a última apresentação dessa passagem.

“Tome cuidado com a espera para que muita coisa acabe, nunca deseje menos tempo, esperar que algo acabe é apenas desejar menos tempo”, continuou ele, citando um voo longo ou um congestionamento de carros como exemplos de momentos que as pessoas almejam o fim.

“Antes que você perceba, fez 40 anos e isso será lindo, mas desse ponto em diante as memórias assumem uma vida completamente diferente, e o futuro assume uma vida completamente diferente”, diz, antes de cantar “Dear Marie”, composição embebida de nostalgia.

Em entrevista à Folha, por telefone, o cantor já havia se mostrado reflexivo sobre a idade. “Estou aqui há tempo suficiente para que uma criança que me escutava há dez anos seja hoje um artista, é como plantar uma semente e vê-la crescer, é um efeito natural do tempo”, disse na ocasião.

Os fãs foram preparados e, logo no início da noite, após a abertura com “Helpless” e “Moving On and Getting Over”, ambas do álbum mais recente de Mayer, cantou parabéns ao ídolo, jogando balões rosas.

O show também teve outros momentos de descontração. Algumas músicas antes do discurso, Mayer fez o estádio parcialmente cheio cair no riso com uma coreografia de sarradas no ar. “Alguém me ensinou isso hoje”, disse.

Não foi a única vez que o músico tentou retribuir os agrados dos fãs brasileiros. Como já fez no passado, Mayer adaptou a letra de “Who Says” – que menciona as cidades americanas Nova York, Baton Rouge e Austin– para contemplar São Paulo. “Gostaria de voltar para cá para o resto da minha vida”, disse.

Grande novidade do show, a divisão da apresentação em capítulos era anunciada no telão, cuja paisagem tropical estampada nele anoitecia conforme a progressão das faixas. Na prática, o artifício proposto pelo músico considerando o novo modo de consumo de entretenimento, fragmentado, não surtiu muito efeito na percepção temporal da noite. Tampouco serviu para organizar de forma cronológica o repertório.

Os sets foram separados por formação: com a banda inteira (capítulos 1 e 4), incluindo faixas como “Something Like Olivia” e “Slow Dancing in a Burning Room”; acústico (capítulo 2), quando Mayer tocou “Emoji of a Wave”, “Daughters” e “Free Fallin”, homenagem a Tom Petty; e com seu famoso trio (capítulo 3), momento em que pesaram as guitarras em covers de “Every Day I Have the Blues”, composição de Pinetop Sparks que foi gravada por B.B. King, e “Cross Road Blues”, de Robert Johnson.

Após os quatro blocos principais, o cantor voltou para cantar “Waiting On The World To Change” e “Gravity”, a última acompanhada por luzes de celulares e backing vocals afinados, ovacionados pelo público.

O show debanda no capítulo 5, ou “epílogo”, como chamou o músico. Diferentemente de apresentações anteriores, nas quais o artista foi ao piano tocar “You’re Gonna Live Forever In”, Mayer optou por rodar um trecho pré- gravado da canção conforme exibia um vídeo com os créditos da equipe no telão.

Na minha opinião, como guitarrista e para os guitarristas, este já foi o melhor show do ano no país, não há nada de superou ou possa superar, que me perdoem os fãs de Paul e U2.

Fábio Hz.